Uma Prece e um Comprimido
by Décio Iandoli Jr. on mai.04, 2010, under Artigos, Inicial
Não há como negar, em situações extremas a maioria das pessoas recorre a um componente que não se encontra em clínicas, hospitais ou laboratórios. Em geral, isso acontece quando tudo parece muito complicado e os recursos materiais vão se escasseando. O que resta nesse momento é aquilo que pode virar o jogo a nosso favor: a Fé. Afinal, se a fé move montanhas, como diz o ditado, o que não será capaz de fazer com um obstáculo bem menor como uma célula?
A verdade é que o mundo avança em velocidade espantosa. Há internet em todo o Planeta, a nanotecnologia reduziu os equipamentos, os alimentos são controlados desde suas sementes. Estações espaciais orbitam nosso espaço e neste instante um médico pode estar fazendo uma cirurgia há quilômetros de distância de seu paciente – e não se trata de mediunidade, é pura ciência, tecnologia robótica.
Porém, a fé é algo que nem as mudanças comportamentais e tampouco a ciência com toda a sua evolução podem mudar. Ela viaja no tempo como uma espécie de DNA da humanidade. Está lá desde que o homem tem consciência de sua própria existência e, sobretudo, de sua finitude ou temporalidade. Sendo assim, ao contrário do que muitos defendem, a fé não é composta apenas por subjeções, pois ela pode ser percebida como resultado de estudos genuinamente científicos. O conhecimento é um elemento essencial para qualquer crença, foi necessário que o homem tivesse “consciência de sua própria mortalidade para criar um anseio orgânico pelo eterno”, escreveu o Dr. Herbert Benson, professor de Medicina de Harvard e autor do livro Medicina Espitirual.
Até que ponto casos de recuperação inexplicavelmente rápida podem ser creditados à fé não se sabe, mas a verdade é que montanhas continuam se movendo por aí. A medicina, sob o olhar atento de alguns observadores de mente mais aberta, acompanha esses movimentos e procura estudá-los na ânsia de compreender o que há por trás disso tudo.
Um dos pioneiros nos estudos científicos do potencial de cura pela fé, o Dr. Harold Koenig, reuniu ao longo dos anos resultados de pesquisas que demonstram que a fé religiosa não só é capaz de prevenir, como pode ajudar na recuperação de doenças graves.
“Durante as orações, esses pacientes controlam indiretamente suas doenças”, afirma o Dr. Koenig, acreditam que não estão mais sozinhos e que têm o apoio de Deus na batalha contra a doença. “ Isso protege do isolamento psicológico que os derrubaria antes mesmo que a doença o fizesse”. É evidente que isso pode ser encarado, pelos céticos, como mera auto-ajuda, mas esta auto-ajuda já não seria um importante fenômeno a ser estudado? Por quais mecanismos a vontade pode transformar o organismo doente?
Na pesquisa elaborada pelo também pioneiro no tema Dr. Herbert Benson, ele procura explicar a fisiologia envolvida na cura pela fé. Segundo seus estudos, de 60% a 90% das consultas médicas envolvem doenças relacionadas ao estresse – hipertensão, infertilidade, insônia e problemas cardiovasculares. Para ele, esses pacientes possuem um alto índice de noradrenalina e adrenalina, os chamados hormônios do estresse.
“Para praticar suas orações, a pessoa se coloca em estado de concentração. Isso desacelera os batimentos cardíacos, a respiração, e ela vai relaxando gradualmente. Conforme avança com orações repetitivas, reduz a velocidade de suas ondas cerebrais. De que outra forma se consegue esses efeitos no ser humano? Só com medicamentos. Sendo assim a oração, movida pela fé, atua indiretamente no bem estar e na recuperação”, afirma.
Mas não seria, segundo ele, apenas através das orações que se atinge esse estado, técnicas não religiosas como a meditação e o relaxamento, por exemplo, produziriam efeitos semelhantes “mas não oferecem o plus das orações que é o conforto espiritual”.
Na conceituada Faculdade Johns Hopkins, o clínico geral e psiquiatra Dr. Thomas A. Corson ministra um curso sobre “Fé e Medicina”. Ele afirma que esse tema avançará para todas as Universidades pelo mundo e vai ajudar a melhorar ainda mais a relação que já foi tão distanciada: médico-paciente. Aproximadamente 2/3 das universidades americanas já contam com a disciplina de saúde e espiritualidade em seus currículos e aqui no Brasil a Universidade Federal do Ceará foi a pioneira e várias universidades brasileiras já contam com cursos sobre o assunto como disciplina optativa.
É exatamente nessa direção que caminha o cirurgião paulista erradicado no Mato Grosso do Sul, Dr. Décio Iandoli Jr., palestrante internacional e autor, entre outros, dos livros “Fisiologia Transdimensional”, “Ser Médico e Ser Humano”, “reencarnação como Lei Biológica” e “Um Homem no Fundo do Espelho”. Dr. Iandoli é professor universitário, e é a favor da implantação dessa matéria nos cursos de Medicina. Defende que os pacientes não sejam encarados apenas como um mecanismo biológico que pode ser totalmente compreendido por uma somatória de exames e testes diagnósticos, eles devem ser compreendidos, como seres complexos cuja essência não pode ser medida ou registrada em um aparelho de tomografia ou num microscópio, mas pode ser sentida, percebida por alguém que lhe dê atenção. É preciso conhecer o paciente da maneira mais abrangente possível, dar a oportunidade de que ele lhe conte sua história, para que deixe de ser um corpo, e passe a ser uma pessoa, reduzindo o distanciamento que normalmente rege a relação médico-paciente nos dias de hoje. O ideal é que se desenvolva uma relação de confiança mútua onde haja respeito e o adequado estabelecimento dos papeis de cada um, qual seja, ao médico a tarefa de auxiliar e ao paciente a de buscar sua recuperação, se necessário e possível, rezem juntos, como recomenda o Dr. Koening, ou mesmo, que chorem juntos! Mas que se aproximem com um mesmo objetivo, encontrar a cura se ela existir, mas o conforto sempre, e ai temos uma poderosa ferramenta, a fé, por que não?
Dr. Décio acredita que a cura, de uma maneira ou de outra, sempre passa pela Fé, a crença e a confiança na cura, que são muitíssimo potencializadas pela religiosidade, mas “sempre acompanhada dos medicamentos e tratamentos receitados pelo médico”, como alerta o Dr. Dale A. Matthews, professor de medicina em Georgetown e autor do livro “The Faith Factor” – O Fator Fé: “a oração jamais poderá substituir os medicamentos, eles são complementares no tratamento. Ambos, médico e paciente, julgarão quanto é necessário de cada afirma Dr. Matthews”. Por isso a denominação “Terapias Alternativas”, tem sido substituída por “Terapias Complementares”, pelos médicos que estudam este assunto.
O cirurgião paulista acompanhou alguns casos de curas inexplicáveis, onde exames que diagnosticavam uma determinada doença “incurável”, refeitos após os tratamentos complementares, simplesmente estavam normais. Kardecista, além de acreditar na reencarnação como processo de evolução, crê na intervenção mediúnica como ferramenta indutora de saúde. “De fato essa é uma das grandes certezas da minha vida, mas não podemos deixar de lembrar que estamos falando de duas condições, a espiritual e a física, que estão intimamente relacionadas, mas que fazem parte de duas dimensões diferentes de atuação. A oração e o passe, por exemplo, atuam no nível espiritual do paciente, que quase sempre são a causa dos problemas físicos. Porém, assim como para a alma não há nada melhor do que a oração, para os problemas físicos, nada melhor do que a medicina. Portanto, as técnicas científicas desenvolvidas pela medicina, devem ser aliadas ao fator Fé, sem dúvida, podem mudar o destino de uma pessoa.” Segundo a doutrina espírita, as orações abrem espaço mental para que forças espirituais possam atuar para auxiliar o paciente, e também, o médico, inspirando-o e conduzindo-o pelo caminho mais adequado para aquele caso. Mas o Dr. Décio reforça: “se me acontecer algo, reze por mim, mas, por favor, não deixe de me levar ao hospital. A espiritualidade faz a sua parte, mas temos que fazer a nossa também, não acredito em milagres, acredito sim que existem muitas coisas que não podemos explicar, mas que podemos perceber e usar em nosso benefício, e a fé é uma destas coisas”
Em seus 23 anos de medicina, Dr. Décio acompanhou casos cuja explicação mais convincente vem do plano espiritual. “Acompanhamos um caso de hipernefroma, um tipo agressivo de câncer no rim, já com metástases espalhadas pelo fígado, pulmões e cérebro, diagnosticado e tratado, sem sucesso, no Hospital Sírio Libanês em São Paulo, desenganado e desesperado, o paciente procurou o centro espírita que eu freqüentava. Ele não praticava nenhum tipo de religião e nunca havia desenvolvido sua espiritualidade, fez um tratamento complementar no centro espírita e, principalmente, mudou sua postura diante da vida e das pessoas, passando a preocupar-se com seu lado espiritual e com o desenvolvimento da sua fé. Com um prognóstico estabelecido de, no máximo, 1 ano de vida, após 2 anos resolveu voltar ao médico que diagnosticou a doença, e repetindo os exames constatou-se que todos os sinais haviam desaparecido. O médico e professor catedrático da USP, revisou todos os exames anteriores, inclusive a biópsia, e pode verificar que não havia erro, havia sim um “milagre”. O paciente está vivo até hoje.
Temas como espiritualidade e religião sempre foram tabu nos meios acadêmicos em especial na medicina. Ciência lógica, racional e objetiva, a medicina encarou por muito tempo esse assunto como sua antítese, uma condição ilusória, subjetiva e difícil de descrever, mesmo sabendo que Hipócrates, o pai da medicina ocidental, colocava a questão espiritual como fundamental para o sucesso de qualquer tratamento.
“Essa realidade está mudando, estamos avançando, evoluindo. Quanto mais próximos estivermos dos problemas espirituais de nossos pacientes, mais próximos estaremos da cura ou, pelo menos, da compreensão de seus males, sejam eles físicos ou espirituais” afirma o Dr. Décio.
O curioso é que as pessoas buscam sua fé apenas em situações extremas. “As enfermidades fazem com que as pessoas revejam valores, fiquem mais abertas e mais transparentes. O paciente moribundo é como um oráculo, pergunte e receberá respostas verdadeiras.” revela Dr. Iandoli.
Artigo escrito pelo Jornalista Paulo Cardoso de Almeida para a revista H&M