Dr. Décio Iandoli Jr

Archive for maio, 2010

Balanço de Mudança

by Décio Iandoli Jr. on mai.06, 2010, under Inicial

Aos amigos que, mesmo de longe, acompanharam minha saga neste ano, quando eu e minha família jogamos todas as comodidades e conquistas em 22 anos de trabalho e luta na cidade de Santos, para um recomeço em Campo Grande, preciso dizer que: no balanço geral foi, talvez, o ano mais difícil da minha vida, mas também foi aquele que deixou mais coisas para agradecer.
Seguindo uma força e uma certeza que eu, até o momento, não sei explicar bem de onde vem, nitidamente amparado pela espiritualidade, e procurando os reais objetivos pelos quais fomos impelidos para esta empreitada, vi tudo em minha vida ser demolido e reconstruído em cerca de 8 meses, com o bônus da reflexão e do balanço de toda uma vida.
Dos rescaldos fica a gostosa sensação de que fiz muitos amigos sinceros e este patrimônio não foi perdido apesar da distância, e que existe realmente um planejamento no mundo espiritual que nos convida ao trabalho, trabalho este que tento abraçar com todas as minhas forças para realizá-lo da melhor maneira possível. No meu entender este trabalho esta ligado diretamente a AME-MS, onde encontrei companheiros sinceramente envolvidos com a causa e um potencial de se tornar uma das mais atuantes do Brasil, quem sabe?

Sei que a AME-MS não depende de mim, mas sei também que sou um dos convidados ao trabalho e isso me alegra demais, pois significa preciosa oportunidade de progresso.

Hoje, reestruturando minha profissão, refazendo meu círculo de amizades, aprendendo a viver em uma sociedade com cultura e preceitos surpreendentemente diferentes dos que eu sempre carreguei, sinto-me abençoado por tudo o que está acontecendo e também pelas dores que senti, pois elas me mostraram pontos que precisam ser mudados na minha alma.

Uma certeza que fica cada vez mais nítida é a interferência do nosso patrono, Dr. Bezerra de Menezes, coisa que eu achava difícil de acreditar, achava mesmo muita pretensão pensar que um espírito deste skol perderia tempo comigo, mas com o tempo descobri que, se trabalho pelo ideal médico-espírita, trabalho sob a orientação dele, e como líder competente e sábio que é, não se abstém de deixar muito claro o que espera de nós todos que trabalhamos nesta seara. Assim, comecei a beneficiar-me com as orientações que vinham de várias formas, como psicografias de médiuns próximos, sonhos, intuições, e hoje, me sinto bem mais perto dele, o que produz uma sensação de conforto indescritível.

Espero continuar a ser merecedor desta atenção, pois planejo continuar tentando aproveitar esta preciosa oportunidade de trabalhar em nome de Jesus, sob os auspícios de Maria e a orientação de Bezerra.

Muito obrigado aos amigos, antigos e novos, encarnados e desencarnados e um 2010 de mais certezas e mais realizações para todos nós.

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A Medicina de André Luiz

by Décio Iandoli Jr. on mai.04, 2010, under Artigos, Inicial

Quando eu era menino na cidade de São Paulo, Allan Kardec era apenas um nome que eu conheci através de adesivos enigmáticos, colocados no pára-brisa de alguns carros, onde se lia apenas a frase “Leia Kardec”, e Chico Xavier, era apenas um homem estranho, diferente, não só na aparência, mas também na conduta; a quem eu via de quando em vez, pela televisão.

O tempo passou, me tornei adulto, me formei médico, e já na pós-graduação, tomei contato com um livro que, finalmente, vinha anunciar-me a possibilidade de ser um homem da ciência e acreditar e Deus ao mesmo tempo, era o Livro dos Espíritos, e logo a seguir, um segundo livro que me apresentaria às idéias de um “colega médico” (se é que poderia me comparar a ele em qualquer aspecto que fosse), chamado André Luiz, que trazia um cabedal de informações tão estupendo e maravilhoso que me arrisco dizer, ainda será comemorado como um prodígio, tal qual a obra de Leonardo Da Vinci, tanto por sua genialidade quanto por sua precocidade diante do estagio de conhecimento da humanidade quando de sua publicação.

Passei a estudar as informações passadas há mais de 60 anos por este médico, por intermédio da incontestável mediunidade de um ser humano muito acima da média geral, alguém muito humilde, teoricamente inculto, sem uma formação acadêmica clássica, mas que escreveu mais livros do que qualquer outro autor conhecido pela história deste planeta, emitindo conceitos dentro da ciência, da filosofia e da religião, que ainda hoje, desafiam nossa inteligência e capacidade de compreensão por sua profundidade, complexidade e ineditismo.

A primeira coisa que aprendi com a obra de André Luiz, é que uma única encarnação é pouco para entendê-la em sua totalidade, e mais ainda, para aplicá-la. Notei rapidamente que não tenho capacidade nem cultura médica suficientes para dissecar todas as preciosas informações ali contidas. Diante disso, limito-me ainda hoje, a acompanhar as descobertas da medicina e da ciência, de uma maneira geral, para ir tentando entender e traduzir aquilo que já esta impresso, graças ao nosso Allan Kardec brasileiro, e o resultado desta simples confrontação é simplesmente fantástico e entusiasmador, pois informações trazidas à época, por exemplo, no que diz respeito à glândula pineal, que pareciam desconexas ou absurdas quando de sua publicação, hoje estão totalmente comprovadas e explicadas, em parte, pela ciência convencional. Assim têm se dado com relação a outros assuntos médicos trazidos nas paginas da obra Chico-André, sobre os quais tenho tentado acompanhar.

Só isso já valida a mediunidade como fato científico e credencia o médium Chico Xavier como um trabalhador sério e desprovido de interesses outros, se seu exemplo de vida não bastasse para isso, mas o que me vem à mente quando penso nas informações e conclusões tiradas pelo autor espiritual, é que o futuro da medicina já está trilhado naqueles livros em forma de romance, mas que se traduzem em verdadeiros compêndios que explicam a natureza humana transdimensional e seus mecanismos de controle e equilíbrio, apontando formas terapêuticas que, antes, pareciam pieguices religiosas, mas que vem se consolidando como a revolução silenciosa do amor como fonte primária de homeostase para indivíduos e sociedades, tal qual já nos asseverava o mestre Jesus.

Se for merecedor, talvez ainda possa ver, encarnado ou desencarnado, tais livros consultados pelos acadêmicos de medicina ao estudarem a anatomia e a fisiologia transdimensional, entendendo a patologia da alma e planejando terapêuticas de amor e caridade para uma população já consciente de suas necessidades e sabedora de suas responsabilidades diante da vida e do Criador.

Neste dia que ainda há de chegar, a palavra “médico” ganhará uma nova conotação, e o nome destes dois espíritos, Chico Xavier e André Luiz, ocuparão lugar de destaque, tal qual os luminares da medicina como Pasteur e Koch.

Que Jesus os abençoe por tamanho serviço que nos prestaram.

Publicado na Folha Espírita on line – Edição comemorativa do centenário de Chico Xavier http://pt.calameo.com/read/00014369720b1cc244402

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Uma Prece e um Comprimido

by Décio Iandoli Jr. on mai.04, 2010, under Artigos, Inicial

Não há como negar, em situações extremas a maioria das pessoas recorre a um componente que não se encontra em clínicas, hospitais ou laboratórios. Em geral, isso acontece quando tudo parece muito complicado e os recursos materiais vão se escasseando. O que resta nesse momento é aquilo que pode virar o jogo a nosso favor: a Fé. Afinal, se a fé move montanhas, como diz o ditado, o que não será capaz de fazer com um obstáculo bem menor como uma célula?

 

A verdade é que o mundo avança em velocidade espantosa. Há internet em todo o Planeta, a nanotecnologia reduziu os equipamentos, os alimentos são controlados desde suas sementes. Estações espaciais orbitam nosso espaço e neste instante um médico pode estar fazendo uma cirurgia há quilômetros de distância de seu paciente – e não se trata de mediunidade, é pura ciência, tecnologia robótica.

 

Porém, a fé é algo que nem as mudanças comportamentais e tampouco a ciência com toda a sua evolução podem mudar. Ela viaja no tempo como uma espécie de DNA da humanidade. Está lá desde que o homem tem consciência de sua própria existência e, sobretudo, de sua finitude ou temporalidade. Sendo assim, ao contrário do que muitos defendem, a fé não é composta apenas por subjeções, pois ela pode ser percebida como resultado de estudos genuinamente científicos. O conhecimento é um elemento essencial para qualquer crença, foi necessário que o homem tivesse “consciência de sua própria mortalidade para criar um anseio orgânico pelo eterno”, escreveu o Dr. Herbert Benson, professor de Medicina de Harvard e autor do livro Medicina Espitirual.

 

Até que ponto casos de recuperação inexplicavelmente rápida podem ser creditados à fé não se sabe, mas a verdade é que montanhas continuam se movendo por aí. A medicina, sob o olhar atento de alguns observadores de mente mais aberta, acompanha esses movimentos e procura estudá-los na ânsia de compreender o que há por trás disso tudo.

 

Um dos pioneiros nos estudos científicos do potencial de cura pela fé, o Dr. Harold Koenig, reuniu ao longo dos anos resultados de pesquisas que demonstram que a fé religiosa não só é capaz de prevenir, como pode ajudar na recuperação de doenças graves.

“Durante as orações, esses pacientes controlam indiretamente suas doenças”, afirma o Dr. Koenig, acreditam que não estão mais sozinhos e que têm o apoio de Deus na batalha contra a doença. “ Isso protege do isolamento psicológico que os derrubaria antes mesmo que a doença o fizesse”. É evidente que isso pode ser encarado, pelos céticos, como mera auto-ajuda, mas esta auto-ajuda já não seria um importante fenômeno a ser estudado? Por quais mecanismos a vontade pode transformar o organismo doente?

Na pesquisa elaborada pelo também pioneiro no tema Dr. Herbert Benson, ele procura explicar a fisiologia envolvida na cura pela fé. Segundo seus estudos, de 60% a 90% das consultas médicas envolvem doenças relacionadas ao estresse – hipertensão, infertilidade, insônia e problemas cardiovasculares. Para ele, esses pacientes possuem um alto índice de noradrenalina e adrenalina, os chamados hormônios do estresse.

“Para praticar suas orações, a pessoa se coloca em estado de concentração. Isso desacelera os batimentos cardíacos, a respiração, e ela vai relaxando gradualmente. Conforme avança com orações repetitivas, reduz a velocidade de suas ondas cerebrais. De que outra forma se consegue esses efeitos no ser humano? Só com medicamentos. Sendo assim a oração, movida pela fé, atua indiretamente no bem estar e na recuperação”, afirma.

Mas não seria, segundo ele, apenas através das orações que se atinge esse estado, técnicas não religiosas como a meditação e o relaxamento, por exemplo, produziriam efeitos semelhantes “mas não oferecem o plus das orações que é o conforto espiritual”.

 

Na conceituada Faculdade Johns Hopkins, o clínico geral e psiquiatra Dr. Thomas A. Corson ministra um curso sobre “Fé e Medicina”. Ele afirma que esse tema avançará para todas as Universidades pelo mundo e vai ajudar a melhorar ainda mais a relação que já foi tão distanciada: médico-paciente. Aproximadamente 2/3 das universidades americanas já contam com a disciplina de saúde e espiritualidade em seus currículos e aqui no Brasil a Universidade Federal do Ceará foi a pioneira e várias universidades brasileiras já contam com cursos sobre o assunto como disciplina optativa.

É exatamente nessa direção que caminha o cirurgião paulista erradicado no Mato Grosso do Sul, Dr. Décio Iandoli Jr., palestrante internacional e autor, entre outros, dos livros “Fisiologia Transdimensional”, “Ser Médico e Ser Humano”, “reencarnação como Lei Biológica” e “Um Homem no Fundo do Espelho”. Dr. Iandoli é professor universitário, e é a favor da implantação dessa matéria nos cursos de Medicina. Defende que os pacientes não sejam encarados apenas como um mecanismo biológico que pode ser totalmente compreendido por uma somatória de exames e testes diagnósticos, eles devem ser compreendidos, como seres complexos cuja essência não pode ser medida ou registrada em um aparelho de tomografia ou num microscópio, mas pode ser sentida, percebida por alguém que lhe dê atenção. É preciso conhecer o paciente da maneira mais abrangente possível, dar a oportunidade de que ele lhe conte sua história, para que deixe de ser um corpo, e passe a ser uma pessoa, reduzindo o distanciamento que normalmente rege a relação médico-paciente nos dias de hoje. O ideal é que se desenvolva uma relação de confiança mútua onde haja respeito e o adequado estabelecimento dos papeis de cada um, qual seja, ao médico a tarefa de auxiliar e ao paciente a de buscar sua recuperação, se necessário e possível, rezem juntos, como recomenda o Dr. Koening, ou mesmo, que chorem juntos! Mas que se aproximem com um mesmo objetivo, encontrar a cura se ela existir, mas o conforto sempre, e ai temos uma poderosa ferramenta, a fé, por que não?

 

Dr. Décio acredita que a cura, de uma maneira ou de outra, sempre passa pela Fé, a crença e a confiança na cura, que são muitíssimo potencializadas pela religiosidade, mas “sempre acompanhada dos medicamentos e tratamentos receitados pelo médico”, como alerta o Dr. Dale A. Matthews, professor de medicina em Georgetown e autor do livro “The Faith Factor” – O Fator Fé: “a oração jamais poderá substituir os medicamentos, eles são complementares no tratamento. Ambos, médico e paciente, julgarão quanto é necessário de cada afirma Dr. Matthews”. Por isso a denominação “Terapias Alternativas”, tem sido substituída por “Terapias Complementares”, pelos médicos que estudam este assunto.

 

O cirurgião paulista acompanhou alguns casos de curas inexplicáveis, onde exames que diagnosticavam uma determinada doença “incurável”, refeitos após os tratamentos complementares, simplesmente estavam normais. Kardecista, além de acreditar na reencarnação como processo de evolução, crê na intervenção mediúnica como ferramenta indutora de saúde. “De fato essa é uma das grandes certezas da minha vida, mas não podemos deixar de lembrar que estamos falando de duas condições, a espiritual e a física, que estão intimamente relacionadas, mas que fazem parte de duas dimensões diferentes de atuação. A oração e o passe, por exemplo, atuam no nível espiritual do paciente, que quase sempre são a causa dos problemas físicos. Porém, assim como para a alma não há nada melhor do que a oração, para os problemas físicos, nada melhor do que a medicina. Portanto, as técnicas científicas desenvolvidas pela medicina, devem ser aliadas ao fator Fé, sem dúvida, podem mudar o destino de uma pessoa.” Segundo a doutrina espírita, as orações abrem espaço mental para que forças espirituais possam atuar para auxiliar o paciente, e também, o médico, inspirando-o e conduzindo-o pelo caminho mais adequado para aquele caso. Mas o Dr. Décio reforça: “se me acontecer algo, reze por mim, mas, por favor, não deixe de me levar ao hospital. A espiritualidade faz a sua parte, mas temos que fazer a nossa também, não acredito em milagres, acredito sim que existem muitas coisas que não podemos explicar, mas que podemos perceber e usar em nosso benefício, e a fé é uma destas coisas”

 

Em seus 23 anos de medicina, Dr. Décio acompanhou casos cuja explicação mais convincente vem do plano espiritual. “Acompanhamos um caso de hipernefroma, um tipo agressivo de câncer no rim, já com metástases espalhadas pelo fígado, pulmões e cérebro, diagnosticado e tratado, sem sucesso, no Hospital Sírio Libanês em São Paulo, desenganado e desesperado, o paciente procurou o centro espírita que eu freqüentava. Ele não praticava nenhum tipo de religião e nunca havia desenvolvido sua espiritualidade, fez um tratamento complementar no centro espírita e, principalmente, mudou sua postura diante da vida e das pessoas, passando a preocupar-se com seu lado espiritual e com o desenvolvimento da sua fé. Com um prognóstico estabelecido de, no máximo, 1 ano de vida, após 2 anos resolveu voltar ao médico que diagnosticou a doença, e repetindo os exames constatou-se que todos os sinais haviam desaparecido. O médico e professor catedrático da USP, revisou todos os exames anteriores, inclusive a biópsia, e pode verificar que não havia erro, havia sim um “milagre”. O paciente está vivo até hoje.

 

Temas como espiritualidade e religião sempre foram tabu nos meios acadêmicos em especial na medicina. Ciência lógica, racional e objetiva, a medicina encarou por muito tempo esse assunto como sua antítese, uma condição ilusória, subjetiva e difícil de descrever, mesmo sabendo que Hipócrates, o pai da medicina ocidental, colocava a questão espiritual como fundamental para o sucesso de qualquer tratamento.

 

“Essa realidade está mudando, estamos avançando, evoluindo. Quanto mais próximos estivermos dos problemas espirituais de nossos pacientes, mais próximos estaremos da cura ou, pelo menos, da compreensão de seus males, sejam eles físicos ou espirituais” afirma o Dr. Décio.

O curioso é que as pessoas buscam sua fé apenas em situações extremas. “As enfermidades fazem com que as pessoas revejam valores, fiquem mais abertas e mais transparentes. O paciente moribundo é como um oráculo, pergunte e receberá respostas verdadeiras.” revela Dr. Iandoli.

 

Artigo escrito pelo Jornalista Paulo Cardoso de Almeida para a revista H&M

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Culpa e Responsabilidade

by Décio Iandoli Jr. on mai.03, 2010, under Artigos, Inicial

Segundo o dicionário, culpa é:

“Falta voluntária a uma obrigação, ou a um princípio ético”

Não vamos nos deter aqui aos aspectos jurídicos que o termo possa vir a ter, vamos analisar apenas esta abordagem que nos remete de maneira mais clara ao cerne da questão à qual pretendemos analisar.

No dicionário responsabilidade é:

“Qualidade ou condição de responsável”

E responsável é:

“Que dá lugar a, que é causa de (algo)

Creio que fica bastante claro, como ponto de partida, a diferença entre culpa e responsabilidade, pois esta se estabelece no momento em que inserimos a idéia de consciência, por isso grifamos a palavra “voluntária” na definição do dicionário.

A diferença que parece bastante simples segundo uma visão mais etimológica dos termos, se confunde e perde a nitidez de seus limites quando passamos a aplicá-las em nosso cotidiano.

Acredito ser bastante significativa a expressão muito utilizada pelos cristãos, de maneira geral, que diz: “Tenho temor a Deus”.

A palavra temor significa ato ou efeito de temer, ter medo, receio diante de uma ameaça, pois bem, seria Deus causa de medo, seria Deus uma ameaça?

Esta expressão acabou por significar também respeito ou zelo, mas é na sua origem o mesmo que ter medo, medo do poder supremo de um deus vingativo e implacável diante dos erros cometidos, confundindo justiça com intolerância, é a herança da culpa judaico-cristã que trazemos atavicamente.

Os grandes vultos no cristianismo nascente foram quase todos mártires, dando a idéia de que só se pode conquistar o “reino dos céus” com o sacrifício extremo e a abnegação absoluta.

Os tempos são outros, os espíritos também.

Toco neste assunto por acreditar ser ele de fundamental importância na compreensão do que considero a mais importante de todas as mensagens do Cristo, ou seja, somos responsáveis por nossos atos e pensamentos, somos responsáveis por nossas vidas, nossas felicidades ou infelicidades, mas nem sempre, somos culpados por nossos erros ou pelas conseqüências funestas que nossos atos possam ter, acusando aqui como limite de uma coisa e de outra, o grau de consciência que temos quando atuamos em nossas vidas e quando notamos a repercussão daquilo que falamos ou fazemos.

As leis naturais, universais ou divinas – chame como quiser – atribuem a cada um, na medida de sua evolução e desenvolvimento de seu livre arbítrio, a responsabilidade de seus atos enquanto nós dirigimos nossas atitudes, mais verdadeiramente quanto maior for nossa consciência daquilo que se passa ao nosso redor. Entretanto, estamos suscetíveis às conseqüências de nossas ações, que vão nos mostrando por tentativa e erro, os caminhos que escolhemos no exercício daquilo que podemos chamar livre arbítrio, visto que, não raro, aquilo que “decidimos” é muito mais a ação do meio sobre nós do que propriamente uma escolha.

Invariavelmente, o erro nos remete à responsabilidade que tivemos, já que nos reconhecemos como causa, porém vem de arrebate a culpa que nos martiriza.

Começamos aqui a entrar no ponto principal da questão, pois a culpa só poderia ser atribuída àquele que tinha plena consciência do erro em curso, assim como das conseqüências dele, e é tanto menor quanto menor for a vontade de prejudicar, de causar dano.

A falta de culpa não exime ninguém das conseqüências que causa, mas a culpa tolhe suas possibilidades de recuperação na medida em que provoca a auto-condenação e leva ao martírio que não produz efeito benéfico nem a ele, autor da ação, tampouco àquele ou àqueles que sofreram o dano, assim, a percepção do erro posterior ao seu cometimento, deve provocar sim, a conscientização seguida da ação de reparo que se possa ter, e da prevenção da recidiva que possa ocorrer.

O complexo de culpa é que nos condena ao sofrimento inútil, que nos paralisa diante da vida e das pessoas, que nos amedronta diante das novas possibilidades, engessando nossa vida e desativando todo o cabedal de virtudes que possuímos e que poderiam estar trabalhando a nosso favor e a favor dos que nos cercam.

A responsabilidade faz evoluir, a culpa faz sofrer, por isso é que acredito que a necessidade de desenvolver nossa capacidade de perdoar o outro, tem muito a ver com o auto-perdão evitando o complexo de culpa.

Acredito que perdoar o outro é mais fácil do que perdoar-se, sendo assim, o exercício do perdão ao outro alarga nossa tolerância e nossa compreensão, diminuindo nosso sentimento de culpa diante dos erros diagnosticados no outro e, conseqüentemente, em nós mesmos.

A percepção de nossa falibilidade é que nos dá as ferramentas para desenvolvermos a capacidade de perdoar, o que eu colocaria como sendo a capacidade de eximir de culpa, mas não de responsabilidade.

Evitar as conseqüências de nossos erros não é didático e não produz evolução; tal qual a culpa paralisante não é desejável.

O entendimento das causas do erro alheio leva à percepção da falta de culpa e nos estimula ao entendimento da nossa própria, facilitando sua dissipação, e aqui, cito o questionamento de Tolstoy que, acredito, traduza de maneira cristalina o que tento demonstrar:

“Onde está o livro da lei mais claro para o homem do que aquele que está escrito em seu coração?”

Escrita essa que vamos aperfeiçoando a cada experiência, boa ou má, a cada vivência que nos acrescenta recursos para ver com clareza a realidade que rege nossas vidas e relações.

Vou utilizar aqui um exemplo que considero fundamental:

Na condenação que fazemos ao aborto, muitas vezes sentimos aflorar o complexo de culpa daquelas que já o cometeram, e que já foi bem estudado pela psicologia moderna sendo identificado como uma das mais agressivas e brutais de todas as experiências traumáticas que podem acometer a mulher.

A pesquisa realizada na universidade de Oslo na Noruega e publicada em 2005[1] identificou o grande trauma psíquico para as mulheres que provocaram o aborto, e que é significativamente maior do que no grupo de mulheres que sofreram um aborto espontâneo.

Mesmo para aquelas que têm um discurso de aprovação do aborto e que não referem culpa por terem-no praticado, apresentam sinais e sintomas de trauma psicológico e sofrimento, que foi acompanhado no referido trabalho por até cinco anos. Fica como uma marca profunda a experiência do aborto devido ao sentimento de culpa que gera, impactando seu equilíbrio emocional e social.

Dito isso podemos passar a analisar a situação da seguinte maneira:

Mesmo que nos fosse possível criticar ou condenar quem quer que seja, coisa que temos a mais profunda consciência de que não podemos fazer (quem nunca pecou que atire a primeira pedra), e mesmo tendo plena consciência de que, estivéssemos nós na situação das mulheres que fizeram o aborto, talvez agíssemos da mesma forma, temos a obrigação de esclarecer, com relação ao aborto, a responsabilidade do ato e as conseqüências do mesmo para o feto abortado e para a mulher que abortou, assim como foi tão bem demonstrado na pesquisa acima citada. Portanto, não atribuímos culpa, mas lembramos a responsabilidade que leva à dor e ao sofrimento.

Sendo assim a condenação do aborto não é acompanhada da condenação das mulheres que o provocaram, mas é a ação consciente de prevenção do ato, porquanto tentamos evitar os efeitos da responsabilidade, na mesma medida em que esperamos dissipar seus complexos de culpa e mostrar-lhes que não há porque continuar mantendo a dor de um ato muitas vezes desprovido de reflexão, ou cometido devido à condução do meio ou das pessoas que os cercavam. Aos que praticaram tal ato cabe auxílio e esclarecimento, não condenação, pois apesar de responsáveis, nem sempre são culpados.

Como nos asseverou Harry Weinberger (1888–1944):

“O maior direito no mundo é o direito de errar”

Mesmos os culpados tem direito ao arrependimento e à mudança de postura.

De nada adianta deixar a ferrugem da culpa corroer nossas forças, coisa que em nada vai reparar ou reconstruir nossas vidas, é necessário sim reconhecer nossos erros para evitá-los no futuro, mas trabalhar conscientes de nossa falibilidade, e certos de nosso melhoramento.

Um Deus infinitamente bom e justo nunca poderia condenar, pois Ele, e só Ele, tem todo o conhecimento e a percepção, e por isso mesmo não condena, auxilia, não pune, esclarece, Deus ama, e por isso educa.

É hora de nos livrarmos da culpa, é hora de trabalho, não de lamentação, assim como é hora de assumirmos nossas responsabilidades, pois já somos sabedores das leis e suas conseqüências, resta trabalhar para ser feliz.

Nunca deveríamos nos esquecer do sábio Chico Xavier que lembrou certa vez:

“Não podemos mudar o início, mas podemos, a partir de hoje, construir um final mais feliz”

 


[1] Broen A N, Moum T, Bodtker A S, Ekeberg O: The course of mental health after miscarriage and induced abortion: a longitudinal, Five-year follow-up study. BMC Medicine 2005, 3:18.

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